Natureza Viva 

Em meio a uma pandemia, nossas ações se tornam limitadas e paralisamos diante de questões que fogem do nosso controle. “Como ajudar a apagar o fogo da Floresta”? “Como ajudar os animais”? “Como impedir a destruição”? Essas são as perguntas que inquietam a artista e emergem das entranhas de um corpo que sente a impotência transbordar. Assistimos à destruição da Mata de dentro das nossas casas, de mãos atadas, e em meio a uma das maiores crises sanitária, humana e social da história.

Enquanto espécies de milhões de anos são destruídas e seus guardiões são dizimados, isolamos nosso corpo-célula e cultuamos nossos paraísos artificiais em meio ao concreto. À medida que a floresta diminui em seu tamanho, aumentamos a variedade de plantas exóticas e decorativas que não necessitam muitos cuidados de rega e adubação no espaço-casa.

Diante dessas inquietações a artista propõe mimetizar a Floresta em chamas: ateia fogo em flores e plantas desidratadas e pintadas que são parte da decoração da casa, experimenta as reações e registra as imagens formadas na combustão. Aqui, as flores e plantas assumem o lugar de objeto inanimado – aquele que não pode mover-se. A luz artificial contrasta com as chamas douradas e laranjas em uma mise-en-scène inspirada em quadros de natureza morta.  

A série assume a subjetividade e crenças da fotógrafa que investiga as potências incontroláveis do fogo, elemento alquímico que modifica estados da matéria, transmuta emoções, aquece, fascina e destrói quando utilizado de má fé. É o fogo que conduz a narrativa e protagoniza a cena. Com suas formas e movimentos, ele cria e aponta ressignificações da própria natureza que, mesmo morta, pulsa viva.

Por Ana Ferreira 

Epilogo 

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